PÚBLICO E DOENTES

O que é o sistema vascular

Enquadramento

A doença renal crónica é um problema de saúde pública particularmente relevante em Portugal sendo este um dos países da Europa com maior incidência de terapêuticas de substituição renal nas suas diversas formas – diálise peritoneal, hemodiálise e transplante.

Dentro das competências do Especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, o domínio da imagiologia, cirurgia convencional e intervenção endovascular são determinantes no sucesso da gestão do acesso vascular para hemodiálise e no transplante renal, dentro de uma abordagem multidisciplinar com Nefrologistas e Enfermeiros.

O Núcleo de Acessos Vasculares e Transplantação pretende dinamizar a formação nesta área fomentando a partilha de experiência clínica e a divulgação científica.

Coordenador Duarte Rego

Colaboradores
Ana Raquel Afonso | Gabriela Teixeira

Plano de ação

A Reunião do Núcleo de Acessos Vasculares e Transplantação da SPACV, está prevista para o 1º semestre de 2022 em data a informar oportunamente.

  • Varizes
  • Trombose Venosa
  • Doença Arterial Periférica
  • Doença Carotídea
  • Aneurisma da Aorta Abdominal
  • Dissecação Aórtica
  • Aneurismas Periféricos
  • Traumatismos Vasculares
  • Acessos Vasculares para Imodiálise
  • Contribuições
  • Índice Tornozelo-Braço
  • Eco-Doppler Colorido
  • Tomografia Computorizada (TC)
  • Ressonância Magnética (RM)
  • Angiografia

O coração é a “bomba” que mantém o sistema em funcionamento.

Para funcionar adequadamente, o nosso corpo necessita de um sistema de circulação que transporte o sangue de um local para o outro. O coração é a “bomba” que mantém o sistema em funcionamento. Do coração sai sangue com oxigénio e nutrientes, que é depois distribuído pelos vários órgãos e tecidos através das artérias. Quando o sangue chega às células, liberta o oxigénio e nutrientes, recebe dióxido de carbono e o “lixo” celular e inicia a sua viagem de regresso ao coração, através das veias. Artérias e veias podem ser afetadas por várias doenças, que podem resultar na sua obstrução, dilatação ou destruição. Essas doenças podem surgir de forma súbita, ou de forma lenta e progressiva. Além do sangue, os detritos celulares também são transportados por vasos linfáticos, que transportam um líquido amarelado chamado linfa. O sistema linfático também é importante no controlo das infeções.

Figura 01 - Corpo humano feminino a cinza, com os componentes do sistema vascular a cores

Figura 02 - Corpo humano masculino a cinza, com os componentes do sistema vascular a cores

Várias doenças vasculares podem por em risco a vida ou influenciar negativamente o bem-estar pessoal e social...

Um Angiologista e Cirurgião Vascular é um médico especializado na prevenção, diagnóstico, tratamento e seguimento de doenças que afetam as artérias, as veias ou os vasos linfáticos. Várias doenças vasculares podem por em risco a vida ou influenciar negativamente o bem-estar pessoal e social, provocar dor crónica ou debilitar fisicamente. O Angiologista e Cirurgião Vascular está dedicado a proporcionar um serviço altamente qualificado para evitar ou minimizar as consequências provocadas por doenças dos vasos.

A sua atividade passa pela realização de consultas, onde poderá esclarecer as suas queixas, obter informação mais detalhada sobre a sua doença, onde pode ser discutido e prescrito um plano de tratamento, e agendado um adequado seguimento regular quando justificado. Passa também pela realização de exames de diagnóstico vascular, dos quais se destaca o eco-Doppler, uma ecografia especial que permite a visualização da circulação em tempo real e permite uma excelente avaliação do sistema vascular. Em alguns casos, o Angiologista e Cirurgião Vascular poderá propor uma intervenção.

Estes especialistas estão treinados para realizar operações simples e complexas em artérias e veias em todos os locais do corpo exceto no coração e no cérebro, e também para realizar procedimentos baseados em cateterismo, podendo oferecer a solução mais adequada para cada situação. Estão igualmente qualificados para resolver possíveis complicações vasculares da forma mais indicada. Um Angiologista e Cirurgião Vascular pode ser muito importante para uma vida longa e saudável. Se suspeita de doenças dos vasos sanguíneos ou linfáticos, consulte o seu médico de medicina geral e familiar para referenciação ou marque uma consulta de Angiologia e Cirurgia Vascular.

As queixas frequentemente associadas são a dor, o inchaço, a sensação de peso e o cansaço nas pernas que geralmente agravam ao longo do dia e aliviam com a elevação destas.

As varizes dos membros inferiores estão associadas a uma condição chamada de doença venosa crónica. Esta é caracterizada por uma disfunção das paredes e válvulas das veias das pernas, dificultando a normal circulação do sangue da periferia para o coração. Isto causa uma maior tensão nas paredes das veias e leva a que estas se tornem progressivamente mais dilatadas e tortuosas.

Ainda que não se saiba ao certo a sua causa, existe uma tendência hereditária para a insuficiência venosa, o que significa que pessoas com familiares que tenham história de varizes têm maior risco para o seu aparecimento. Existem ainda outros fatores que aumentam o risco, nomeadamente a gravidez, o uso de contracetivos orais (pílula), o excesso de peso, o calor e o passar longos períodos de tempo em pé ou sentado.

As queixas frequentemente associadas são a dor, o inchaço, a sensação de peso e o cansaço nas pernas que geralmente agravam ao longo do dia e aliviam com a elevação destas. Em doentes com doença de longa duração podem ocorrer ainda alterações da coloração e consistência da pele, nomeadamente o seu escurecimento e endurecimento especialmente no 1/3 inferior e interno e a nível dos tornozelos, culminando no aparecimento de feridas (úlceras venosas) que podem ser muito difíceis de cicatrizar.

Nos doentes com varizes há ainda o risco de pequenos traumatismos lhes causarem rotura e sangramento com perdas de sangue significativas. Estes episódios tem o nome de varicorragias. O diagnóstico é geralmente feito por um Angiologista e Cirurgião Vascular o qual após a colheita das queixas do doente, da realização de um exame físico cuidadoso e da execução de um estudo por eco-Doppler, vai permitir-lhe identificar os segmentos venosos afetados e propor o tratamento adequado.

Os tratamentos propostos vão depender das alterações encontradas. Estes poderão incluir medidas mais conservadoras, como a toma de medicação , para melhorar a circulação e o uso de meias elásticas compressivas, ou tratamentos invasivos, como a escleroterapia (injeção de uma substância no interior da veia para a secar), ou tratamentos cirúrgicos, utilizando diversas técnicas com ou sem remoção das veias afetadas , sendo neste último caso utilizadas preferencialmente técnicas minimamente invasivas, procedimentos na maior parte das vezes executados em regime ambulatório.

Ainda que os tratamentos atuais sejam eficientes, é importante que o doente perceba que este é um problema crónico, havendo sempre o risco de surgimento de novas varizes no futuro. É por isso necessário um acompanhamento contínuo e a adoção de medidas de prevenção, entre as quais o uso de meias elásticas compressivas, a prática de exercício físico regular, a manutenção de um peso saudável e a evicção da exposição prolongada ao sol e ao calor assim como evitar longos períodos na posição de pé ou sentada.

Deve consultar um médico especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular se tiver algum destes sintomas nos membros inferiores: dor, sensação de pernas pesadas e cansadas, cãibras, dormência, comichão ou inchaço que tipicamente agrava ao final do dia.

Os sintomas incluem um inchaço súbito de uma perna, com ou sem dor associada se atingidas as veias profundas.

Uma trombose venosa é uma obstrução aguda de uma veia provocada por coágulo de sangue. Surge mais frequente nas veias dos membros inferiores e se são afetadas as mais profundas podem ter consequências graves.

As tromboses venosas podem ocorrer como resultado de uma imobilização prolongada, como após um acidente ou cirurgia, resultar de alterações adquiridas ou genéticas da coagulação do sangue. Nalguns casos não se consegue identificar a causa.

Os sintomas incluem um inchaço súbito de uma perna, com ou sem dor associada se atingidas as veias profundas. Se forem atingidas apenas as veias superficiais, pode surgir vermelhidão, calor localizado e dor ao toque da região afetada.

O diagnóstico é habitualmente confirmado por análises ao sangue e pela realização de um eco doppler, o qual permite visualizar a localização e extensão do trombo. É uma situação séria que necessita um tratamento específico, pois existe o risco do coagulo se libertar na circulação e resultar numa condição potencialmente fatal chamada embolia pulmonar. Também a longo prazo podem surgir sequelas desta doença, normalmente sob a forma de dor e inchaço crónico e alterações da pele na perna afetada.

Figura 01 - Ilustração de sintomas de trombose venosa

O tratamento geralmente incluí medicamentos que diluem o sangue (anticoagulantes), limitando a progressão da doença e reduzindo o risco de complicações mais graves. A utilização de meias elásticas também é geralmente aconselhada para tratar os sintomas relacionados com o inchaço. Em algumas situações, é possível desobstruir as veias através de uma operação.

Se tem a suspeita ou o diagnóstico de trombose venosa, consulte um médico especialista de Angiologia e Cirurgia Vascular, que poderá confirmar o diagnóstico, oferecer-lhe um plano terapêutico adequado e um seguimento para minimizar as consequências tardias e reduzir o risco de um novo episódio.

A doença arterial periférica caracteriza-se por uma obstrução nas artérias (aterosclerose) dos membros inferiores, que ocorre ao longo de meses a anos, e que dificulta a circulação do sangue. É mais comum a partir dos 65 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. Os principais fatores de risco são o tabagismo, diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado, excesso de peso e doentes em diálise. Frequentemente ocorre associada a doenças nas artérias do coração e nas carótidas.

Os sintomas e sinais que podem estar associados são o cansaço e dor nas pernas com o andar obrigando as pessoas a parar alguns minutos (claudicação), sendo estas queixas mais precoces em terrenos inclinados. Numa fase mais avançada os doentes podem apresentar dor permanente nos pés durante a noite que alivia na posição sentada, e/ou feridas. O arrefecimento dos pés e a diminuição dos pelos nas pernas são sinais acompanhantes.

O diagnóstico é confirmado através da observação médica de especialidade minuciosa e a realização de eco doppler. Poderá necessitar de fazer outros exames.

O tratamento depende da situação em que cada pessoa se encontra. Em primeiro lugar é fundamental o controlo dos fatores de risco (deixar de fumar, controlo da diabetes, tensão arterial, colesterol e pedo). Os medicamentos utlizados servem para diluir o sangue. Em algumas situações é necessário tentar desobstruir as artérias através de operações, que podem ser por cirurgia aberta ou através de um cateterismo.

A obstrução das artérias é uma situação séria e que nalgumas situações exige um tratamento rápido e específico para evitar a amputação do membro. Se apresentar algumas das queixas anteriormente referidas, consulte um médico especialista de Angiologia e Cirurgia Vascular. Ele poderá confirmar o diagnóstico e propor-lhe o tratamento mais adequado para a sua situação.

A doença carotídea caracteriza-se por uma obstrução nas artérias (aterosclerose) que levam o sague para o cérebro. Estra obstrução desenvolve-se ao longo de anos de evolução, podendo subitamente formar-se um coágulo que provoca um AVC (trombose no cérebro). É de referir que 33% das tromboses no cérebro estão relacionadas com obstruções nas carótidas. O risco de obstrução aumenta com a idade e com a presença de hipertensão arterial, colesterol elevado, tabagismo ou diabetes. Frequentemente ocorre associada a obstruções nas artérias do coração e das pernas.

É uma doença que muitas vezes é assintomática (sem sintomas). Se existem estão relacionados com as tromboses no cérebro (paralisia de um lado do corpo, deixar de falar) ou no olho (deixar de ver). Nas situações mais graves a pessoa pode morrer.

O diagnóstico é confirmado através da observação médica de especialidade minuciosa e a realização de eco doppler. Poderá necessitar de fazer outros exames.

O tratamento inclui o controlo dos fatores de risco para esta doença (tensão arterial, colesterol, diabetes e deixar de fumar) e medicamentos para diluir o sangue (anti-agregante) e para o colesterol (estatinas). Alguns dos doentes com obstruções mais graves poderão necessitar de uma operação para desobstruir as artérias, o que pode ser muito importante na redução do risco de um AVC.

Se tem história de obstruções nas artérias das pernas, ou se tem mais de 65 anos e tem um dos seguintes fatores (obstruções nas artérias do coração, fumador ou tem colesterol elevado) deve consultar um médico especialista de Angiologia e Cirurgia Vascular que poderá, quando indicado, confirmar o diagnóstico e oferecer-lhe o tratamento mais adequado para diminuir o risco de sofrer uma trombose cerebral.

O Aneurisma da Aorta é uma doença que se define por uma dilatação da aorta, a maior artéria do organismo humano. Esta dilatação pode ocorrer no tórax, mas é mais frequente na região do abdómen. É uma doença comum na população ocidental, afetando 2% a 4% dos homens de 65 anos e aumentando com a idade. Entre os fatores de risco mais relevantes estão o género masculino, o tabagismo, a tensão arterial elevada e a existência de familiares diretos afetados.

É uma doença que se desenvolve de forma silenciosa, o que significa que não existem sintomas que permitam um diagnostico atempado. Apesar da ausência de sintomas, uma proporção significativa de doentes afetados sofre de rotura, o que provoca uma grave hemorragia interna e é fatal em mais de 80% dos casos. Esta complicação representa uma das 10 causas de morte mais frequentes na população acima dos 65 anos, e a quarta causa de morte cardiovascular, após o acidente vascular cerebral (AVC), do enfarte agudo do miocárdio e do tromboembolismo venoso.

A prevenção da rotura só é possível se a doença for identificada precocemente e forem tomadas medidas para travar a sua progressão. A abstinência tabágica e um estilo de vida ativo são medidas preventivas muito relevantes. Em casos de doença mais avançada pode ser necessário um tratamento cirúrgico através da substituição da aorta por uma prótese ou por implante de uma prótese por via de cateterismo.

A fácil identificação da população em risco, o curso clínico insidioso, a simples deteção por ecografia abdominal, a existência de terapêutica não interventiva eficaz na redução de risco e a existência de um tratamento cirúrgico eficaz, tornam o rastreio de AAA uma medida com provável impacto favorável na saúde da população.

Um Angiologista e Cirurgião Vascular pode esclarecer melhor as implicações do aneurisma da aorta e estabelecer um plano de tratamento individualizado. Se tem a suspeita ou o diagnóstico de aneurisma da aorta, consulte um especialista de Angiologia e Cirurgia Vascular. Este poderá confirmar o diagnóstico e oferecer-lhe um plano terapêutico adequado, que incluirá uma prevenção do risco de rotura assim como uma redução do risco cardiovascular global.

A dissecção aórtica é uma doença grave que consiste na ocorrência de uma rasgadura no revestimento interno da aorta, levando a que o fluxo sanguíneo crie uma separação entre as camadas que compõem a parede da artéria. O principal fator de risco é a hipertensão arterial, mas algumas doenças genéticas podem também ser responsáveis.

A manifestação mais comum é a dor aguda e intensa (“em rasgadura”) no peito, nas costas ou no abdómen. O diagnóstico passa pela realização de uma TAC com contraste que permite visualizar a localização e a extensão da doença e a existência de complicações.

O diagnóstico de dissecção aórtica aguda implica o internamento hospitalar para vigilância e tratamento de eventuais complicações. Os casos não complicados são tratados com medicação para baixar a pressão arterial e controlar a dor. A complicação mais frequente é a interrupção do fluxo sanguíneo para os rins, o intestino ou os membros inferiores. Nestes casos é necessário realizar uma cirurgia para restabelecer a irrigação dos órgãos afetados. Cada vez mais se utilizam também técnicas endovasculares para tratar dissecções aórticas complicadas.

Após a fase aguda, a maioria dos casos evolui para uma fase crónica onde é frequente a dilatação da aorta com formação de um aneurisma. Por essa razão, é necessário um seguimento apertado para detetar precocemente esta complicação tardia e tratá-la atempadamente para evitar a rotura.

Se tem o diagnóstico de dissecção aórtica, deve ser prontamente referenciado a um serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular para o tratamento adequado e um seguimento que permita antecipar e tratar as consequências tardias.

Os aneurismas são dilatações das artérias que atingem mais frequentemente a aorta, mas podem também envolver outras artérias do organismo. Os aneurismas periféricos mais frequentes localizam-se na artéria atrás do joelho (poplítea ou popliteia). São mais frequentes em homens e em fumadores, existindo frequentemente um aneurisma da aorta em simultâneo.

Habitualmente não existem quaisquer sintomas, apresentando-se como massas pulsáteis nos trajetos arteriais. Podem originar inchaço do membro ou dor do tipo “choque elétrico” quando existe compressão venosa ou nervosa, respetivamente. A complicação mais frequente é a obstrução do fluxo sanguíneo, que pode ser a primeira manifestação e originar uma perda de irrigação muito grave no membro, com elevada probabilidade de amputação.

O diagnóstico é sugerido pelo exame físico e complementado por eco-Doppler e/ou exames contrastados como a Angio-TAC e angiografia.

Os aneurismas que dão queixas ou com determinadas dimensões são tratados por cirurgia convencional ou endovascular, nas quais se substitui o segmento arterial dilatado por uma prótese ou por veia colhida do próprio doente. Quando tratados antes do desenvolvimento de complicações, os resultados são por norma muito positivos.

Quando detetada uma massa pulsátil, mais frequentemente nas pernas, é fundamental a referenciação a um especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular para estabelecimento do diagnóstico e tratamento atempado.

Os traumatismos vasculares representam um grupo heterogéneo de situações clínicas que resultam da lesão de vasos sanguíneos em resultado de acidentes ou procedimentos. Os acidentes de viação e os cateterismos são causas muito frequentes. Estes podem manifestar-se imediatamente ou mais tardiamente, de dias até vários anos depois o evento causador. Qualquer vaso sanguíneo pode ser afetado, mas as consequências mais graves resultam da lesão de artérias de maior tamanho.

Um traumatismo vascular pode resultar numa hemorragia grave. Pode também resultar numa obstrução súbita, causando uma súbita falta de irrigação de uma parte do corpo. Em muitas situações, uma operação cirúrgica emergente é necessária. Noutros casos, é possível adiar ou evitar uma operação.

Um especialista de Angiologia e Cirurgia Vascular está habitualmente envolvido no tratamento de traumatismos vasculares, e pode ajudar a esclarecer as lesões sofridas, a sua resolução e qual o seguimento futuro mais adequado. 

A hemodiálise constitui um tratamento essencial à sobrevivência de doentes cujos rins deixaram de funcionar (doença renal crónica terminal). A sua função é a de filtrar as toxinas e remover o excesso de água do organismo, substituindo deste modo a função dos rins.

O acesso vascular é um sistema criado cirurgicamente por um Cirurgião Vascular, que vai permitir extrair com segurança o sangue do organismo do doente (através do uso de agulhas e tubos) de modo a que este possa passar por um dialisador (máquina que filtra o sangue). Este funciona também como um ponto de reentrada do sangue no organismo.

Existem três tipos de acessos possíveis. A Fístula Arteriovenosa (FAV), que consiste na ligação de uma artéria a uma veia do braço, sendo o tipo de acesso mais seguro e duradouro. A Pontagem Arterio-Venosa (PAV) é utilizada nos casos em que não é possível construir uma FAV, e consiste na colocação por baixo da pele de um tubo sintético que vai ligar uma artéria a uma veia. Quando não é possível a criação em tempo útil de uma FAV ou PAV há a possibilidade de se colocar um Cateter Venoso Central (CVC). No entanto, devido ao seu elevado risco de infeção, os CVC devem ser utilizados de modo temporário. 

O sucesso da hemodiálise está dependente da existência de um acesso vascular adequado, e o seu mau funcionamento pode impossibilitar a sua realização, colocando assim em risco a vida do doente. Geralmente é possível confirmar o funcionamento dos acessos através de um exame clínico da palpação de um frémito (tremor causado pela passagem do sangue) sobre o local de criação de uma FAV ou PAV. É ainda importante que os doentes mantenham os seus locais de acesso limpos e livres de traumas, e estejam atentos a sinais que possam indicar alguma complicação, como a presença de dor, inchaço, rubor ou febre.

Em caso de suspeita de alguma complicação do local do acesso vascular o doente deve entrar em contacto com o seu Cirurgião Vascular. 

José Daniel Menezes, Assistente Hospitalar Graduado Sénior de Angiologia e Cirurgia Vascular, Presidente da SPACV

Armando Mansilha, Assistente Hospitalar Graduado de Angiologia e Cirurgia Vascular e Professor Agregado da Faculdade de Medicina do Porto, Vice-Presidente da SPACV

Frederico Bastos Gonçalves, Assistente Hospitalar de Angiologia e Cirurgia Vascular e Professor Auxiliar Convidado da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, Secretário-Geral da SPACV

Augusto Ministro, Assistente Hospitalar de Angiologia e Cirurgia Vascular, Vogal da Direção da SPACV

Carolina Vaz, Assistente Hospitalar de Angiologia e Cirurgia Vascular. Vogal da Direção da SPACV

Luís Antunes, Assistente Hospitalar de Angiologia e Cirurgia Vascular, Vogal da Direção da SPACV 

O índice tornozelo braço por vezes designado por ITB ou ABI é um procedimento extraordinariamente útil de rastreio (ou seja, de deteção de doença oculta) de doença vascular arterial, de diagnóstico de dor na perna relacionada com a marcha e de controle de evolução no tratamento de doentes já com obstrução conhecida de artérias da perna. O ITB tem sido estudado exaustivamente e as suas implicações em termos de saúde vão muito além da doença vascular na perna pois é na realidade um indicador preciso da saúde arterial de todo o organismo.

Consiste na medida da pressão arterial sistólica (conhecida como a “máxima”) nos tornozelos e nos braços e elaboração do quociente entre ambos. A sua execução demora alguns minutos e requer uns minutos de repouso prévio e um vestuário que permita descobrir o braço e o tornozelo. Exige apenas uma marquesa, um aparelho de tensão arterial dos antigos e um pequeno aparelho de doppler continuo portátil.

Os resultados são obtidos imediatamente e podem ser discutidos com o medico ou técnico que executou o exame. É possível que o seu médico, caso encontre alterações, lhe prescreva outros exames, dos quais se destaca o Eco-Doppler colorido.

Este exame também designado por angiodinografia ou triplex-scan, consiste na obtenção de uma imagem de fusão composta por ecografia tradicional e por doppler espectral. A ecografia é um meio de diagnóstico que produz uma imagem de segmentos do corpo recorrendo aos ecos gerados pela transmissão dos ultrassons nos tecidos. O doppler espectral é um processo de medida da velocidade do sangue por intermedio dos mesmos ultrassons.

O Eco-Doppler é um exame de primeira linha para confirmação do diagnóstico em Cirurgia Vascular e pode ser utilizado para estudo das artérias e das veias. É atualmente o exame de excelência para a avaliação das varizes e das tromboses venosas mas também constitui um meio de diagnóstico valioso no seguimento de doentes com oclusão ou dilatação das artérias que, na maiorias dos casos, é condicionada por aterosclerose ou/e diabetes. É o meio de eleição para o rasteio do aneurisma da aorta abdominal em grupos de risco selecionados. É um exame não invasivo, sem quaisquer riscos para o doente, que pode ser repetido sempre que clinicamente indicado. É utilizado mais frequentemente para estudo da circulação nas carótidas, nas principais artérias intracerebrais e nas artérias e veias do abdómen e dos membros. O estudo abdominal requer 6 horas de jejum. Os restantes não carecem de preparação prévia.

Como desvantagens apresenta o facto de depender muito de um operador experiente, de um bom aparelho e exigir a superfície da pele do local a avaliar sem lesões ou feridas. Também é prejudicado nos doentes muito obesos. 

A TC é um meio de obtenção de imagens do interior do organismo por intermédio de raios X. Na patologia vascular a TC é habitualmente efetuada com injeção de um produto de contraste iodado (angioTC) para opacificação das artérias ou veias. Este produto pode dar alergias pelo que os doentes com historia alérgica pesada, alergia ao contraste ou ao iodo têm de efetuar uma dessensibilização medicamentosa prévia. Também há risco adicional para o rim nos doentes idosos, desidratados ou com alterações prévias da função renal, mas este pode ser minorado com hidratação e ajuste terapêutico adequado. O contraste é administrado endovenoso pelo que os riscos são inferiores aos associados á angiografia.

As imagens da angioTC são de grande detalhe e acuidade diagnostica e requerem apenas, nos aparelhos modernos, alguns minutos para serem adquiridas bastando para isso que o examinado consiga estar deitado imóvel durante todo o exame. Os aparelhos de TC não são fechados e não constituem em geral um problema para pessoas com claustrofobia. No entanto, a TC é um exame para estudo aprofundado de doença já conhecida visando planificar o seu tratamento cirúrgico ou endovascular ou o seguimento esporádico de doentes já operados, que têm próteses endovasculares implantadas. Não é um meio de diagnóstico adequado a rastreio de doença e o seu uso tem de ser racionalizado afim de reduzir a exposição a radiação ionizante.

A RM tem algumas semelhanças com a TC e pode ser efetuada com adição de um contraste paramagnético (passando a chamar-se angioRM) que está contraindicado nos doentes com função renal diminuída.

As imagens da RM e são de grande detalhe morfológico e funcional mas requerem substancialmente mais tempo para serem adquiridas exigindo ao examinado estar deitado imóvel durante todo o exame. Os aparelhos de RM são fechados e podem constituir um problema para pessoas com claustrofobia, se bem que nos aparelhos mais novos este problema tende a ser minorado.

A RM não pode ser efetuada ou sofre sérias restrições nos doentes que têm próteses metálicas implantadas ou pace-makers. A maiorias das próteses mais recentes são compatíveis pelo que se tiver um implante e lhe for prescrita uma RM traga a identificação e numero de serie para que o técnico e o médico possam saber quais as restrições de que padece.

Ao contrario da TC, a RM não envolve radiação ionizante e, á parte do contraste, não é um exame invasivo ou com riscos para o examinado. Não oferece assim qualquer risco de exposição a radiação o que a torna ideal na criança e no estudo das malformações vasculares e pode ser repetida se necessário. A interpretação dos resultados requer pessoal experiente.

Angiografia é um procedimento que utiliza um produto de contraste opaco aos raios X, o qual normalmente é um composto de iodo, que é injetado no vaso a visualizar enquanto simultaneamente se obtêm imagens com raio X podendo fazer-se um filme ou imagens paradas que delineiam o contorno interno da artéria ou veia estudada permitindo detetar bloqueios, roturas ou outras anomalias.

A angiografia é um método dito invasivo porque usa radiação ionizante (o raio-X) e é preciso injetar um produto de contraste na circulação (arterial ou venosa) o que pode acarretar alguns riscos nomeadamente para a função do rim ou o desenvolvimento de reações alérgicas. Pode também haver complicações associadas ao local em que se insere o cateter na circulação por hemorragia ou bloqueio. Estes riscos podem ser minorados de forma preventiva, antes do exame, pela modificação da terapêutica em curso e hidratação oral. É um exame que requer jejum prévio de pelo menos 6 horas.

Os riscos associados fazem da angiografia um método de diagnóstico de ultima linha para esclarecer dúvidas que eventualmente persistam após a realização de exames não invasivos. Apesar destas desvantagens a qualidade das imagens obtidas é insuperável e adicionalmente permite, no mesmo gesto, tratar as lesões visualizadas, por exemplo, com angioplastia evitando assim uma cirurgia adicional.

A angiografia é habitualmente executada sob anestesia local, por vezes complementada com ligeira sedação, e em regime de ambulatório. A duração do procedimento é muito variável e depende da complexidade do mesmo. Quando adequadamente executada constituiu um meio de diagnostico e terapêutica extraordinariamente útil e com um risco pequeno de complicações.

CAMPANHAS DE SENSIBILIZAÇÃO
E PROMOÇÃO DA SAÚDE

Um dos objetivos da SPACV é a sensibilização e educação da população para a saúde vascular.

Neste sentido, a SPACV realiza campanhas de sensibilização e rastreio, contribuindo assim ativamente para a literacia em saúde e promovendo a consciencialização da importância da patologia vascular na saúde pública.

A Aorta Não Avisa

O que é um aneurisma da aorta abdominal (AAA)? A aorta é a principal artéria do corpo, sendo responsável pela distribuição...

Alerta Doença Venosa

Dê mais atenção ao que as suas pernas lhe dizem…